As suas férias em Ferragudo têm tudo o que precisa para uma experiência inesquecível. Em Ferragudo ficará a conhecer uma das aldeias mais antigas do Algarve, a sua história, cultura, tradição e alguns factos curiosos que não se encontram em mais lado nenhum.
Da Praça da Rainha a uma igreja no topo de uma colina
O coração de Ferragudo fica na Praça Rainha D. Leonor. E este será o ponto de partida deste passeio a pé.
O caminho mostrado na imagem irá levá-lo através de um labirinto de ruas empedradas e casas tradicionais algarvias até à Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Começaremos?
A praça principal de Ferragudo tem o nome da Rainha D. Leonor que fundou a vila em 1520.
Após a morte do rei D. João II, seu marido, recebeu a coroa e ficou à frente de um reino enriquecido pelos tesouros encontrados nas terras estrangeiras de África. Numa visita às terras algarvias, a rainha D. Leonor percebeu a importância de Ferragudo. Sendo este o único acesso de barco para chegar a Silves, então reino do Algarve, Ferragudo tinha potencial para garantir a entrada do rio. Por esta razão, a Rainha exigiu a construção de uma fortaleza junto à foz do rio. A Fortaleza de S. João do Arade é hoje um marco de Ferragudo.
A Rainha também era conhecida pela sua bondade e virtudes cristãs, e algumas pessoas a chamavam de “Princesa Perfeita”. Ajudou os aldeões a construir Ferragudo, fornecendo recursos suficientes para garantir a sua segurança.
Rua Vasco da Gama
Esta é uma rua típica e tradicional com características comuns a outras ruas da aldeia. Aqui você encontrará pequenas casas revestidas de azulejos coloridos, desenhadas com padrões intrincados e portas de madeira com detalhadas gravuras em ferro. Na Rua Vasco da Gama terá a oportunidade de visitar lojas de souvenirs, tomar uma bebida num bar ou provar as iguarias locais nos restaurantes.
Ao longo desta rua encontrará outras ruas mais estreitas chamadas “travessas”. Estas ligam as ruas principais, principalmente por escadas, e dão acesso a casas particulares. Caminhar por essas ruas fará você se perguntar como, nos tempos antigos, as pessoas transportavam mercadorias maiores de um lugar para outro. Ainda hoje é um desafio renovar uma casa no centro histórico.
Ferragudo – uma vila de pescadores
Pela sua localização, Ferragudo sempre esteve ligado ao mar. Desde o seu início, os aldeões dependiam da pesca e do comércio marítimo para alimentar as suas famílias. No mercado, especialmente de manhã, poderá encontrar alguns dos mais frescos peixes e mariscos.
Ao chegar à margem do rio, você verá barcos de pesca flutuando em águas rasas, apenas para serem usados por gaivotas e biguás, enquanto esperam pacientemente por suas presas.
Com um pouco de sorte, você poderá ver os pescadores locais chegando de uma pescaria e talvez comprar peixes e frutos do mar diretamente deles.
No cais, à tarde, depois de terminada a pesca, os pescadores locais preparam os barcos e cuidam das redes de pesca, para o dia seguinte. Suas mãos hábeis refletem o conhecimento transmitido de geração em geração, fazendo com que o trabalho pareça fácil. No entanto, são necessários anos de prática.
Se você olhar com atenção, também notará algumas armações de ferro cobertas por uma rede de pesca. Estes são usados para capturar polvos. Se você perguntar aos pescadores, eles terão prazer em explicar como isso funciona.
Por que se chama Ferragudo?
Por esta altura, você provavelmente já deve estar se perguntando de onde vem o estranho nome de Ferragudo. Existem muitas teorias sobre isso, mas até agora ninguém parece saber exatamente qual delas está certa.
Os historiadores acreditam fortemente que a palavra Ferragudo vem de duas antigas palavras portuguesas: “Ferrar” (que significa “ancorar”) e “Agudo” (que significa “urgente”). Parece que desde os primórdios da aldeia este sempre foi um porto seguro.
Além dos pescadores, os golfinhos também utilizam o rio Arade para se protegerem dos perigos do mar. Se tiver sorte, é possível observar famílias de golfinhos, que costumam dormir no rio e passar o dia no mar.
Ao deixar o cais para trás, você encontrará um caminho tão estreito que parecerá apertado para chegar ao outro lado. Esta parte do passeio irá levá-lo por uma série de pequenas ruas, ligadas por “travessas” e degraus. Se você não tem certeza para onde ir, não se preocupe! Basta seguir uma linha reta no caminho que o leva para cima e você chegará ao seu destino: a Igreja Nossa Senhora da Conceição.
Igreja Senhora da Conceição
Esta parte é a mais íngreme, mas a vista vale o esforço! A Igreja de Nossa Senhora da Conceição fica no topo de Ferragudo e tem vista para a foz do rio, a Fortaleza de São João do Arade, a Fortaleza de Santa Catarina, a marina da Praia da Rocha, a cidade de Portimão e a serra de Monchique ao fundo.
Neste local foi construída no século XVII a Igreja de Nossa Senhora da Conceição para abençoar a partida dos pescadores e acolher o seu regresso. No exterior existe um pequeno jardim onde pode sentar-se, relaxar e apreciar a vista. A Igreja está aberta ao público todos os dias, exceto quintas e domingos. Você pode assistir à missa ou simplesmente admirar o desenho do altar, as obras religiosas e a arquitetura do edifício.
A viagem de volta à praça
Nesta parte do passeio a pé encontrará cafés, uma antiga torre de vigia, um atelier de azulejos e uma galeria ao ar livre.
O Café Duplex está localizado junto à Igreja Nossa Senhora da Conceição e é o local perfeito para uma paragem antes de seguir para o próximo local. Aqui poderá sentar-se ao ar livre, pedir uma “bica” que é como os portugueses chamam ao café expresso, e pedir o delicioso pastel de nata tradicional português.
Após esta pausa, há oportunidade de visitar um dos espaços de referência de Ferragudo. Perto da Igreja, encontra-se a Rua Dr. Luiz António dos Santos que se destaca entre outras pelas bem conservadas casas tradicionais algarvias e pelas buganvílias rosadas que sombreiam grande parte da rua.
Os azulejos
Os tradicionais azulejos portugueses podem ser encontrados em muitos locais, incluindo no centro histórico de Ferragudo.
Os azulejos tradicionais portugueses são conhecidos como “azulejos” e fazem parte do património deixado pelos Mouros durante a sua ocupação. Seus artesãos ensinaram a técnica aos artistas locais, o que os levou a criar um estilo único. Hoje em dia, os azulejos são utilizados como peças ornamentais em edifícios.
O atelier Arti Arte Azulejar, que fica perto da rotunda da Torre da Atalaia, é a casa da artesã local Carla Guerreiro, especialista neste artesanato.
No interior, você encontrará algumas peças únicas ou, quem sabe, criará sua obra-prima. Os workshops organizados pelo atelier estão disponíveis tanto para crianças como para adultos e vão ensinar-lhe todas as técnicas que necessita. Os números são limitados e os lugares devem ser reservados com antecedência para garantir a disponibilidade.
As ruas de Ferragudo estão repletas de painéis de azulejos pintados à mão por artesãos locais, retratando o quotidiano da vila. Poderá ver estas obras de arte junto ao cais da Rua Infante Santo, no caminho da Calçada do Compromisso e perto da praça principal.
A torre de vigia
Embora Ferragudo tenha sido fundada no século XVI, a vila é muito mais antiga. Há evidências de algum tipo de acordo antes da chegada da Rainha. Uma delas é a Torre da Atalaia, que alguns chamam de Torre de Ferragudo.
Devido às alterações na arquitetura original desta torre, os historiadores têm dificuldade em determinar a data exata da sua construção e a sua finalidade. As autoridades locais não conseguiram identificá-lo como edifício histórico, uma vez que existem poucos dados.
No entanto, acredita-se que esta torre de vigia foi construída entre 1481 e 1495, com o único propósito de proteger os aldeões dos piratas marroquinos que atacavam a costa. Ao longo dos séculos, a torre teve outras utilizações, como a conversão em moinho de vento. Veja também a torre de vigia Torre da Lapa.
A escadaria que desce até ao ponto de partida, na praça principal, oferece uma vista única sobre a aldeia. Enquanto estiver aqui, verá os seus alojamentos para férias em Ferragudo do outro lado, o resort Vitor's Village, a cidade de Portimão e o rio Arade.
Velha e Nova Ferragudo
Ao longo do caminho, você provavelmente notou muitas casas vazias e em ruínas. Por que é tão?
A maioria destes edifícios são propriedade de idosos que não estão física ou mentalmente aptos para assinar documentos legais e os seus herdeiros simplesmente não vivem na aldeia, nem estão interessados na propriedade.
Os custos de reconstrução são bastante elevados se tomarmos como referência o salário mínimo nacional. Além disso, a maioria das pessoas precisaria de um empréstimo bancário, que só poderá ser aceito se o imóvel tiver projeto de arquitetura aprovado pelo município.
Outro motivo pode ser uma batalha judicial entre herdeiros: nenhum deles fica com a casa, não a vendem e ela vai se deteriorando com o passar dos anos.
Felizmente para Ferragudo, as atividades turísticas têm atraído novas pessoas ansiosas por dar vida àquelas casas. Portanto, você verá tantos edifícios reconstruídos ou novos na parte antiga da vila.
A poucos passos de distância, existe uma padaria e pastelaria chamada Quente Quentinho. O cheiro do pão acabado de cozer irá atraí-lo e convidá-lo para um delicioso pedaço de bolo. Se estiver muito cansado, você pode simplesmente levar o pedido de volta ao seu apartamento de férias. A Rua 25 de Abril irá levá-lo de volta à praça principal.
Alternativas de mobilidade
Tal como acontece noutras vilas medievais, as ruas de Ferragudo não estão preparadas para pessoas com problemas de mobilidade. No entanto, existem alguns caminhos alternativos que você pode usar para aproveitar os pontos de referência.
A maioria dos locais são de fácil acesso e não necessitam de rotas alternativas. Porém, para visitar a Igreja recomenda-se utilizar um caminho diferente.
A Rua Primeiro de Maio é uma opção menos íngreme e não tem degraus. Se as suas dificuldades de mobilidade o impedem de caminhar, esta rua é transitável e irá levá-lo até à entrada da Igreja. O painel de azulejos do caminho da Calçada do Compromisso é acessível a partir da Rua Vasco da Gama.